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Oliveira & Sampaio
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Segurança Pública07 de junho de 2022

Willian Sampaio: Sem ideologia e mais Segurança Pública

Para combater o crime organizado é preciso ação efetiva de segurança

Willian SampaioiG

É de Norberto Bobbio o conceito que descreve Estado Democrático de direito como o processo de "desmonopolização" do poder ideológico de um lado e do poder econômico do outro. É nesse sentido as políticas públicas de estado devem ser pautadas. Mas no Brasil há uma inversão dessa lógica. Por isso não há política de segurança. O que há atualmente são afirmações ideológicas, como a que seria bom cada cidadão ter uma arma para “se defender”. Entretanto, o aumento de venda de armas nos últimos três anos e o afrouxamento na apreensão, não refletiram melhoria na segurança.

Em 2007 o Pronasci - Programa Nacional de Segurança com Cidadania sugeriu alguma diretriz, mas se resumiu, na prática, a financiar investimentos em gestão da segurança dos estados (construção de presídios, compra de armas, viaturas, equipamentos). No mesmo momento, o governo dito progressista promulgou a Lei Antidrogas, que prende muito e mal e serve para arregimentação de “mão de obra” das facções criminosas. Milhares dos condenados por essa lei não deveriam estar presos em regime fechado; prisão em massa é a forma mais cara que já inventaram para piorar alguém; a prisão é um mal necessário para criminosos violentos e reincidentes, que cometem crimes graves e para lideranças do crime organizado.

Recentemente um Ministro da Justiça anunciou com pompa um pacote anticrime. O projeto “monstrengo”, que sequer foi acompanhado de justificativa, aprofundava o modelo equivocado sem estabelecer qualquer política de segurança. O que sobrou de bom, como o Juiz de Garantias, acabou suspenso sine die pelo STF. Curiosamente, o mesmo Ministro não conteve o estímulo de venda de armas no país. Resta, então, aos estados o pouco que se tenta e onde se encontram alguns resultados.

Cite-se São Paulo, por exemplo. Em 2001, instituiu o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) aos líderes de facções criminosas, impondo limitações e isolamento. Após dois anos de embates jurídicos sobre a legalidade, alteração da Lei de Execução Penal disciplinou a medida. E a partir de 2003, amparado pelo estatuto do desarmamento, intensificou a apreensão de armas ilegais. Eis políticas que geram resultados. Mas não foi só.

Como o crime não tem divisas, em 2008, o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Beltrame, esteve em São Paulo. Na pauta: corregedorias das polícias; combate ao crime organizado - identificar, prender, isolar os líderes e asfixiar financeiramente as organizações criminosas; e pontos importantes para todo o Brasil - fronteiras, tráfico de drogas, contrabando e venda de armas. No Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, o Secretário conheceu o procedimento de apuração dos homicídios desde o final da década de 1990 (hoje a taxa de homicídios em São Paulo é de 6,6 por 100 mil habitantes, a menor do Brasil, que tem média de 19,3, mesmo indicador do Rio de Janeiro). Viu a compatibilização de áreas territoriais com a Polícia Militar e Civil e as Bases Comunitárias de Segurança. Na ocasião, ficou claro que, após a instalação da base, políticas públicas eram destinadas à localidade, com ações de cidadania (regularização de documentos), revitalização e intervenção urbana, Educação, Saúde, Cultura, Esporte e Assistência Social. O estado deve estar perto do cidadão. O pressuposto é que violência não se resolve somente com repressão policial; a inclusão social e o sentimento de pertencimento da população são instrumentos de segurança pública.

Voltando ao Rio de Janeiro, Beltrame criou o DHPP inspirado no departamento paulista e deu início às primeiras bases comunitárias, lá chamadas UPP. Apesar do esforço de Beltrame, a agenda política Fluminense foi outra. O Rio de Janeiro, que poderia ter levado o Estado para mais perto das comunidades optou por direcionar recursos para gastos de duvidoso retorno social: Jogos Panamericanos, Copa do Mundo e Olimpíadas. Só neste último estimam-se R$ 40 bilhões à época. Eis o monopólio econômico. Passados alguns anos, um novo governador, que defendia “atirar na cabecinha”, extinguiu a secretaria de segurança pública e criou secretarias de polícias isoladas. Ideologia. Um erro. Deu no que deu.

Agora surge um candidato a governador em São Paulo, com ar de soberba ideológica, e na primeira oportunidade ataca o uso de câmeras pela polícia paulista (Rio de Janeiro também está adotando, após ação na Vila Cruzeiro) e, pior, diz que São Paulo fez acordo com o crime, daí os resultados de melhores indicadores. Ora, quem fez, quem cumpre e quem é fiador do tal acordo?

O crime mudou. Não são ações ideológicas ou “lacradoras” que propiciarão condições para seu bom enfrentamento.

Contexto visual

Galeria

Registros fotográficos citados na publicação original.

Ilustração sobre combate ao crime organizado

Para combater o crime organizado é preciso ação efetiva de segurança

Diego Fabian Parra Pabon/Pixabay

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